Separação Amorosa

Psicoterapia para Separação, Divórcio e Rompimento Amoroso

O fim de um relacionamento pode provocar um sofrimento intenso. Além da perda da pessoa com quem se compartilhava a vida, uma separação pode envolver a perda de projetos, planos, referências, vínculos familiares e da própria ideia que tínhamos sobre o futuro.

Em alguns casos, o rompimento acontece depois de um processo que permitiu compreender, aos poucos, que aquela relação estava chegando ao fim. Em outros, acontece de maneira inesperada, unilateral ou acompanhada de situações que abalam profundamente a confiança.

Em todos esses casos, estamos diante de um tipo particular de perda. Diferentemente de outras experiências de luto, na separação a pessoa que perdemos continua existindo, embora a relação que tínhamos com ela tenha deixado de existir ou tenha se transformado. Essa característica aproxima o rompimento amoroso do conceito de perda ambígua, desenvolvido pela pesquisadora Pauline Boss.

Sou Virginie M. G. van Eyll, psicóloga clínica, mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Como psicóloga para divórcio e separação, dediquei parte importante da minha trajetória acadêmica ao estudo dos rompimentos amorosos, da separação, do divórcio e de seus impactos sobre a saúde mental.

Meu interesse por esses processos nasceu também da prática clínica e da percepção de que o sofrimento provocado pelo fim de uma relação nem sempre recebe a atenção que merece. Compreender uma separação apenas a partir dos modelos clássicos de luto pode deixar de considerar particularidades importantes desse tipo de perda.

A compreensão das perdas ambíguas oferece outros recursos para o acompanhamento clínico e pode ajudar a pessoa a construir sentido para aquilo que aconteceu e, gradualmente, retomar sua vida.

Hoje, esse conhecimento científico faz parte do olhar que levo para a psicoterapia, sem perder de vista algo fundamental: cada pessoa, cada relacionamento e cada história de separação são únicos.

Quando o fim de um relacionamento é difícil de superar

Não existe um tempo determinado para superar uma separação. Estudos sobre adaptação ao divórcio mostram que esse processo pode se estender por anos e apresenta grande variação entre as pessoas. No caso da elaboração do divórcio, Hetherington e Kelly (2002) apontam que esse processo pode levar de dois a quatro anos. Esse período, no entanto, não deve ser entendido como uma regra, já que a forma como cada pessoa vivencia e elabora a perda depende de diversos fatores. Por isso, mais importante do que estabelecer um prazo é compreender como aquela perda está sendo vivida e quais fatores podem estar dificultando sua elaboração.

O sofrimento também não depende apenas da duração do relacionamento. A forma como a relação terminou, o vínculo construído, as expectativas existentes, as experiências anteriores e os recursos emocionais disponíveis naquele momento podem influenciar profundamente a maneira como cada pessoa atravessa o rompimento.

Depois de uma separação, podem surgir tristeza, raiva, culpa, ansiedade, sensação de rejeição, dificuldade de concentração, alterações no sono, queda da autoestima e uma necessidade persistente de compreender o que aconteceu.

Nos casos de divórcio ou rompimento inesperado, essa necessidade de encontrar explicações pode ser particularmente intensa. Quando uma pessoa não acompanhou o processo que levou o outro a decidir pelo término, pode ser mais difícil compreender e atribuir sentido ao que aconteceu.

A psicoterapia pode oferecer um espaço para compreender essa experiência, elaborar a perda e, gradualmente, reorganizar a vida sem a relação que existia antes.

A forma como uma relação termina importa

Durante meus estudos sobre rompimentos amorosos, uma questão tornou-se especialmente importante: não é apenas o fato de uma relação terminar que pode provocar sofrimento. A maneira como esse término acontece também importa.

Diálogo, honestidade, consideração e a possibilidade de compreender o que está acontecendo podem influenciar a experiência de quem atravessa uma separação.

Da mesma forma, rompimentos marcados por ausência de diálogo, deslealdade, abandono abrupto, informações contraditórias ou comportamentos que desconsideram o vínculo construído podem acrescentar outras dimensões ao sofrimento provocado pela perda da relação.

Para quem está pensando em se separar, compreender esses fatores também pode ajudar a conduzir esse processo de maneira mais cuidadosa, procurando reduzir sofrimentos que poderiam ser evitados para o parceiro ou parceira e, quando houver filhos, preservá-los tanto quanto possível dos conflitos entre os adultos.

Apego e rompimento amoroso

A teoria do apego também oferece contribuições importantes para compreender por que determinadas separações podem ser particularmente difíceis. Os vínculos amorosos adultos podem funcionar como importantes fontes de segurança emocional. Quando um vínculo significativo é ameaçado ou rompido, diferentes formas de reagir podem aparecer.

Algumas pessoas sentem uma necessidade intensa de restabelecer contato ou encontrar explicações. Outras procuram se afastar rapidamente de tudo o que possa despertar sentimentos relacionados à perda. Essas reações não precisam ser entendidas como fraqueza nem como características imutáveis da personalidade.

Na psicoterapia, compreender a maneira como construímos nossos vínculos pode ajudar não apenas na elaboração da relação que terminou, mas também na forma como estabelecemos relações futuras.

Como uma psicóloga para divórcio pode ajudar antes e depois da separação

Para quem está pensando em se separar, a psicoterapia pode ajudar a compreender essa decisão e a pensar em como conduzir o término de maneira cuidadosa. Quando a decisão já foi tomada, também pode ajudar a refletir sobre como comunicá-la e como reduzir, dentro do possível, sofrimentos desnecessários para o parceiro ou parceira.

Quando existem filhos, essa atenção torna-se ainda mais importante. A relação conjugal pode terminar, mas a relação parental permanece. A maneira como os adultos conduzem a separação pode repercutir na reorganização familiar e na forma como os filhos atravessam essa mudança.

Um divórcio também envolve aspectos que ultrapassam a esfera emocional. Pode exigir uma reorganização familiar, social, patrimonial e financeira. Por isso, cuidar da forma como esse processo acontece pode ter repercussões em diferentes áreas da vida.

Para quem já passou pela separação, a terapia não tem como apagar a importância de uma relação nem fazer com que alguém simplesmente “esqueça” uma pessoa. O trabalho terapêutico pode ajudar a compreender o que aconteceu, reconhecer sentimentos que às vezes parecem contraditórios, diferenciar aquilo que pertence à própria história daquilo que aconteceu na relação e encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com a perda.

Em alguns momentos, o trabalho estará mais relacionado à elaboração do relacionamento que terminou. Em outros, poderá envolver autoestima, confiança, medo de novos relacionamentos, solidão, reorganização familiar, mudanças na rotina ou a construção de novos projetos.

O objetivo não é seguir uma fórmula para “superar o ex”, mas compreender o processo particular daquela pessoa e ajudá-la a recuperar, gradualmente, a possibilidade de investir novamente na própria vida.

Pesquisa científica e prática clínica

Minha trajetória de pesquisa sobre relacionamentos amorosos começou no mestrado em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), quando estudei o divórcio inesperado e as primeiras reações diante desse tipo de rompimento.

Posteriormente, aprofundei o estudo dos rompimentos amorosos no doutorado e pós-doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP, investigando a relação entre a forma como os relacionamentos terminam, a saúde mental e a responsabilidade afetiva.

Essas pesquisas deram origem também a publicações científicas sobre o tema.

A pesquisa científica não substitui a escuta clínica. Ela amplia os recursos disponíveis para compreender aquilo que cada paciente apresenta. Na psicoterapia, procuro integrar conhecimento científico, experiência clínica e uma escuta cuidadosa da história particular de cada pessoa.